Amanda Rocha

Sobre as (minhas) dores

Hoje acordei de madrugada com um aperto no peito. Busquei na minha memória razões pra isso. Lembrei da minha infelicidade na faculdade, lembrei da falta que ainda sinto todos os dias do meu avô, lembrei das brigas que tenho constantemente com o meu pai… Mas foi quando quis mandar uma mensagem pra alguém especial contando meus problemas que a dor aumentou de vez. Talvez as outras dores já estivessem sido tratadas antes.
Busquei minuciosamente pessoa por pessoa na minha lista, alguém que me completasse e sorrisse ao receber minha mensagem no meio da noite… Não achei.
Não se trata apenas de uma dor de cotovelo, se trata de uma dor acumulada há anos por quebra de expectativas, decepções.
Eu sempre me vi como alguém absolutamente independente que esperava a hora certa pras coisas acontecerem, mas essa noite eu simplesmente cansei de fingir.
Me vi completamente desestruturada e tudo que eu realmente sentia apareceu.
Todos esses anos eu procurei alguém que me entendesse, alguém que risse comigo e gostasse de mim como sou. Alguém que principalmente tivesse paciência pra me conhecer e ver que depois de um certo tempo, eu consigo ser mais que a minha timidez me permite ser.
Queria alguém que por mais piegas que fosse, não tivesse medo de relacionamentos e se dedicasse a um.
Cada coração partido era um questionamento. Talvez eu fosse um pouco feia demais, um pouco gorda demais, um pouco chata demais. Talvez eu quisesse algo muito sério e não tá certo querer algo sério hoje em dia. Talvez eu beijasse mal ou me vestisse pior ainda.
Cada coração partido era uma decepção… A meu respeito.
E aí as pessoas diziam “você precisa se amar mais”
E eu pensava “tem de haver uma razão para tudo isso, o problema não pode ser só deles sempre”
Até que hoje eu percebi, é isso, o tempo todo, que vem me deixando pra baixo.
As vezes me desespera pensar o tempo em que não tenho nada sério com ninguém, se é que já tive.
Tenho tanto medo do problema ter sido eu todo esse tempo.
Minha vontade era de perguntar pra todos eles qual é o meu problema, mas não sei se aguento a resposta.
Ou talvez eu apenas seja um “tanto faz”, e isso seria ainda pior.
Não sei mais quantos corações eu tenho a serem quebrados e me assusta a possibilidade de chegar ao limite. Me agonia a sensação de querer e não poder me encaixar nas vontades de ninguém.
Isso tudo pode ser carência, pode ser tpm, pode ser drama, mas dói…
Eu não escrevo por querer que os outros leiam e digam coisas só para me confortar, escrevo pra tentar parar de fingir que pra mim “tanto faz” e ver que não tá tudo muito bem, tudo legal, tá tudo uma merda, e eu sequer sei como fazer melhorar.
Hoje eu acordei de madrugada com um aperto no peito, tentei mandar mensagem pra alguém especial e não achei. Aqui estou.

Para viver um grande amor

“Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher… — não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o “velho amigo”, que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.

Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor…

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer “baixo” seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.

É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.

Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.”

“De tudo ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento

E em seu louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.”

Quem me conhece sabe. Só podia ser dele, Vinícius de Moraes

“Uma das maiores tristezas, foi vê-lo partindo.E hoje sei que você fez falta na minha adolescência.Mas em minha infância, foi mais que um avô.Foi meu pai, minha vida e meu tutor.E será eternamente.”
Antonio Ladeira

“Uma das maiores tristezas, foi vê-lo partindo.
E hoje sei que você fez falta na minha adolescência.
Mas em minha infância, foi mais que um avô.
Foi meu pai, minha vida e meu tutor.
E será eternamente.”

Antonio Ladeira

A UM AUSENTE

“Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.”

Carlos Drummond de Andrade

Apaixonante!

brendaacs:

“E você me olha com essa carinha banal de “me espera só mais um pouquinho”. Querendo me congelar enquanto você confere pela centésima vez se não tem mesmo nenhuma mulher melhor do que eu. E sempre volta.”

Tati Bernardi.

Então delete, tudo aquilo que não valeu a pena. Quem mentiu, quem enganou seu coração, quem teve inveja, quem tentou destruir você, quem usou máscaras, quem te magoou, quem te usou e nunca chegou a saber quem realmente você é.

Caio Fernando Abreu. (via ithyla)

(via brendaacs)