Sobre as (minhas) dores
Hoje acordei de madrugada com um aperto no peito. Busquei na minha memória razões pra isso. Lembrei da minha infelicidade na faculdade, lembrei da falta que ainda sinto todos os dias do meu avô, lembrei das brigas que tenho constantemente com o meu pai… Mas foi quando quis mandar uma mensagem pra alguém especial contando meus problemas que a dor aumentou de vez. Talvez as outras dores já estivessem sido tratadas antes.
Busquei minuciosamente pessoa por pessoa na minha lista, alguém que me completasse e sorrisse ao receber minha mensagem no meio da noite… Não achei.
Não se trata apenas de uma dor de cotovelo, se trata de uma dor acumulada há anos por quebra de expectativas, decepções.
Eu sempre me vi como alguém absolutamente independente que esperava a hora certa pras coisas acontecerem, mas essa noite eu simplesmente cansei de fingir.
Me vi completamente desestruturada e tudo que eu realmente sentia apareceu.
Todos esses anos eu procurei alguém que me entendesse, alguém que risse comigo e gostasse de mim como sou. Alguém que principalmente tivesse paciência pra me conhecer e ver que depois de um certo tempo, eu consigo ser mais que a minha timidez me permite ser.
Queria alguém que por mais piegas que fosse, não tivesse medo de relacionamentos e se dedicasse a um.
Cada coração partido era um questionamento. Talvez eu fosse um pouco feia demais, um pouco gorda demais, um pouco chata demais. Talvez eu quisesse algo muito sério e não tá certo querer algo sério hoje em dia. Talvez eu beijasse mal ou me vestisse pior ainda.
Cada coração partido era uma decepção… A meu respeito.
E aí as pessoas diziam “você precisa se amar mais”
E eu pensava “tem de haver uma razão para tudo isso, o problema não pode ser só deles sempre”
Até que hoje eu percebi, é isso, o tempo todo, que vem me deixando pra baixo.
As vezes me desespera pensar o tempo em que não tenho nada sério com ninguém, se é que já tive.
Tenho tanto medo do problema ter sido eu todo esse tempo.
Minha vontade era de perguntar pra todos eles qual é o meu problema, mas não sei se aguento a resposta.
Ou talvez eu apenas seja um “tanto faz”, e isso seria ainda pior.
Não sei mais quantos corações eu tenho a serem quebrados e me assusta a possibilidade de chegar ao limite. Me agonia a sensação de querer e não poder me encaixar nas vontades de ninguém.
Isso tudo pode ser carência, pode ser tpm, pode ser drama, mas dói…
Eu não escrevo por querer que os outros leiam e digam coisas só para me confortar, escrevo pra tentar parar de fingir que pra mim “tanto faz” e ver que não tá tudo muito bem, tudo legal, tá tudo uma merda, e eu sequer sei como fazer melhorar.
Hoje eu acordei de madrugada com um aperto no peito, tentei mandar mensagem pra alguém especial e não achei. Aqui estou.
